Vice-prefeito sinaliza possível rompimento com o grupo Ramos durante entrevista no Papo Legal com Charles Roger

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Português brasileiro, com pausas naturais entre frases e parágrafos.
Felipe Andrade (PSD), vice-prefeito eleito em Paulista. Foto: Júlio Gomes/LeiaJá
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A política do Paulista, no Litoral Norte de Pernambuco, vive um momento de tensão. O vice-prefeito Felipe Andrade (PSD) utilizou sua participação no podcast Papo Legal com Charles Roger, transmitido em 12 de agosto de 2025, para fazer duras críticas ao ambiente interno da gestão, revelando episódios que indicam um possível afastamento do grupo político liderado pelo atual prefeito Severino Ramos (PSDB).
Felipe declarou que “quem tem mais maturidade precisa se adaptar às coisas e entender o processo”, mas também relatou situações que, segundo ele, representam claros sinais de boicote. De acordo com o vice-prefeito, houve proibição da divulgação de sua imagem nos canais oficiais da Prefeitura:
“Eu tive situação de pessoas proibirem. Você pode puxar aí na Prefeitura oficial: não tem imagem nenhuma minha porque não pode colocar. Ou seja, isso é uma pequenez de pensamento que não dá para medir. Está entendendo?”
O vice-prefeito acrescentou que teria havido orientação para que secretários municipais não atendessem seus pedidos administrativos:
“Tem muitas coisas assim. Dizer ao secretário que não atenda os pedidos. O pedido não é meu, não sou eu que estou pedindo nada, é o povo que chega.”
Essas declarações ganharam repercussão não apenas pelo conteúdo, mas também pelo histórico recente entre os dois. Durante a campanha eleitoral de 2024, Felipe e Ramos chegaram a gravar um vídeo emocionante, no qual choravam e se tratavam como pai e filho — imagem que serviu como símbolo de união e confiança. Hoje, a narrativa é outra: nos bastidores, o vice-prefeito denuncia isolamento e exclusão, expondo o que considera o “verdadeiro lado” do grupo político que ajudou a eleger.
A “maldição do vice”
O episódio remete a um velho enredo da política brasileira: a chamada “maldição do vice”. Frequentemente escolhido para agregar forças na eleição, o vice, uma vez no cargo, vê seu espaço político encolher e suas funções se esvaziarem. Em Paulista, a situação de Felipe Andrade parece seguir essa lógica — com o agravante de vir a público em um momento ainda distante do próximo pleito, o que intensifica o desgaste interno.
O risco de uma ruptura antecipada
Caso se confirme, o rompimento entre Felipe Andrade e Severino Ramos pode desestabilizar a base de governo e reconfigurar o tabuleiro político local. A aliança entre PSDB e PSD foi crucial para a vitória de 2024. No entanto, com o vice-prefeito isolado, abre-se espaço para novos arranjos e reposicionamentos estratégicos.
Ao trazer a público um conflito que, até então, permanecia restrito aos bastidores, Felipe acendeu um alerta no Grupo Ramos. A questão agora é se a relação será reconstruída ou se a cidade assistirá a uma ruptura irreversível — e antecipada — no comando político municipal.
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